Política

Chico Rodrigues muda prazo de licença para tentar evitar julgamento no STF

Na avaliação de ministros do STF, a licença de 90 dias, solicitada inicialmente pelo senador, não impediria o STF de julgar nesta quarta a decisão de Barroso.

domingo, 29/11/2020

Pressionado, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) mudou a licença do mandato de 90 para 121 dias para tentar evitar o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a decisão do ministro Luís Roberto Barroso que ordenou o afastamento do parlamentar por 90 dias.

Rodrigues foi flagrado na semana passada com R$ 33 mil na cueca. A operação da Polícia Federal apurou desvios de recursos públicos em Roraima. Rodrigues nega envolvimento em irregularidades e diz que o dinheiro serviria para pagar funcionários.

Na avaliação de ministros do STF, a licença de 90 dias, solicitada inicialmente pelo senador, não impediria o STF de julgar nesta quarta a decisão de Barroso.

O pedido de licença de 90 dias foi classificado de “complicado” por ministros do tribunal porque, neste caso, o senador poderia retornar ao mandato a qualquer momento.

Isto é, Rodrigues poderia reassumir antes de findo o prazo da solicitação inicial, o que seria visto como uma manobra para descumprir a decisão de Barroso.

Já a licença de 121 dias levará obrigatoriamente à posse do suplente durante o período. O suplente é Pedro Arthur Rodrigues, filho do senador. Neste caso, a avaliação de ministros do Supremo é que a medida cautelar de Barroso perderia o objeto e não haveria o julgamento desta quarta.

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A avaliação foi transmitida aos aliados de Chico Rodrigues, que passaram a pressioná-lo a mudar o prazo da licença. O senador ficou de avaliar e, pressionado, alterou o prazo no início da tarde.

Logo em seguida, os advogados do senador pediram ao STF que o julgamento previsto para esta quarta não seja mais realizado.

A pressão para a mudança no prazo da licença faz parte da estratégia da cúpula do Senado de evitar, principalmente, que o plenário da Casa venha a analisar a decisão de Barroso.

A avaliação é que a sessão seria muito desgastante para os senadores, que seriam acusados de salvar um colega flagrado com dinheiro na cueca.

G1

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