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Tensão cresce no Cáucaso após ataque contra segunda maior cidade do Azerbaijão

O governo azeri afirmou que foguetes disparados pelo rival deixaram ao menos um civil morto e outros 32 feridos na cidade e que um segundo local, Mingachevir, também foi alvo de um ataques armênios

sexta-feira, 04/12/2020

Um ataque neste domingo (4) contra a cidade de Ganja, a segunda maior do Azerbaijão, fez aumentar ainda mais a tensão entre o país e a vizinha Armênia, deixando a região à beira de uma nova guerra.

O governo azeri afirmou que foguetes disparados pelo rival deixaram ao menos um civil morto e outros 32 feridos na cidade e que um segundo local, Mingachevir, também foi alvo de um ataques armênios.

A ação foi reivindicada pelo governo da região de Nagorno-Karabakh, um enclave controlado por armênios dentro do Azerbaijão. Os rebeldes afirmaram que o alvo era um aeroporto militar em Ganja e negaram que civis tenham sido atingidos na ação.

O governo de Ierevan, que apoia os rebeldes, disse que não teve envolvimento com o caso.

Desde o reinício dos conflitos entre os dois países há uma semana, a maior parte das ações tem ocorrido dentro de Nagorno-Karabakh, território que é o pivô da disputa. Ganja, porém, fica fora da região.

O Azerbaijão não aceitou as explicações do vizinho e ameaçou realizar um ataque direto contra a Armênia em retaliação, o que equivaleria a uma declaração de guerra.

Uma escalada nos embates pode colocar em choque duas potências regionais: a Rússia tem uma aliança de defesa com a Armênia, e a Turquia apoia o Azerbaijão. Há também um componente religioso: os armênios são cristãos, e os azeris (naturais da Azerbaijão), muçulmanos.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, declarou neste domingo que o país está preocupado com “o aumento de vítimas civis” no conflito. Em conversa telefônica com seu par armênio, Zohrab Mnatsakanian, reiterou o pedido por um “cessar-fogo o quanto antes”.

Nagorno-Karabakh é um território de maioria étnica armênia que ficou anexo ao Azerbaijão na divisão do Cáucaso feita pelos soviéticos nos anos 1920. Com o ocaso comunista, declarou-se independente e foi apoiado pela Armênia, gerando a guerra de 1992-94, suspensa por cessar-fogo.

Desde então, os rebeldes armênios controlam de fato a região, embora ela oficialmente continue a fazer parte do Azerbaijão.

Além da área, as forças de Karabakh controlam, com o apoio de Ierevan, sete distritos ao seu redor, garantindo contato com a fronteira armênia e dando profundidade estratégica de defesa contra os azeris.

A ONU já decidiu, em quatro resoluções de 1993, que as áreas precisam ser desocupadas para estabelecer a negociação do status de Karabakh, chamado de Astrakh pelos armênios. Isso não ocorreu, e Baku quer todos os territórios para si.

Também neste domingo, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, exigiu que a Armênia estabeleça um cronograma para se retirar da região de Nagorno-Karabakh e dos territórios vizinhos, e disse que seu governo não interromperá a ação militar no enclave até que isso aconteça.

Os países declararam lei marcial no último dia 27 após os piores confrontos na região desde 2016.

Em um discurso transmitido pela televisão à nação, Aliyev disse que as forças azeris estavam avançando em uma ofensiva de uma semana para retomar as terras que perderam para os armênios nos anos 1990.

O tom da mensagem de Aliyev na televisão deixou claro que o Azerbaijão não aceitaria apelos por um cessar-fogo imediato, como a Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia repetidamente pediram.

“O Azerbaijão tem uma condição, que é a liberação de seus territórios”, disse ele. “Nagorno-Karabakh é o território do Azerbaijão. Devemos retornar e devemos retornar.”

A Armênia minimizou as ameaças do vizinho. “Não creio que exista nenhum risco para Ierevan, mas de qualquer maneira estamos em guerra”, disse Artsrun Hovhannisyan, representante do Ministério da Defesa do país.

Na quinta-feira (1º), a Armênia aceitou discutir um cessar-fogo. Mas um dia antes o presidente azeri já havia rejeitado os termos de mediação internacional propostos pelo Grupo de Minsk (que é liderado por Moscou, Washington e Paris).

Centenas de pessoas foram mortas na semana passada em confrontos entre o Azerbaijão e as forças étnicas armênias, incluindo mais de 40 civis. Os confrontos são os piores desde a década de 1990, quando cerca de 30 mil pessoas foram mortas.

Após a tensão reacender no final de setembro, a comunidade internacional demonstra preocupação com a estabilidade no sul do Cáucaso, onde oleodutos transportam petróleo e gás azeri para os mercados mundiais.

Noticiasaominuto

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