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TRAGÉDIA DE MARIANA! Contaminação do Rio Doce é ‘fantasma’ de um dos maiores crimes ambientais do mundo, diz deputado

Há cinco anos, 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos inundavam as águas de uma das maiores bacias hidrográficas do Brasil

sábado, 05/12/2020

A contaminação do Rio Doce pela lama tóxica de rejeitos seguirá como um “fantasma” de um dos maiores crimes ambientais do mundo. A avaliação é do ambientalista e deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB). Mesmo cinco anos após o rompimento da barragem de Fundão, de responsabilidade da mineradora Samarco, em Mariana, Minas Gerais, as águas de uma das principais bacias hidrográficas do Brasil seguem contaminadas, o que deve perdurar por muitos anos. Ao todo, 39 milhões de metros cúbicos de lama foram lançados no Rio Gualaxo do Norte em 5 de novembro de 2015. Desde então, os rejeitos viajaram por cerca de 670 km ao longo do Rio Doce, levando a morte de toneladas de peixes, extinção de espécies e a contaminação do Atlântico Sul, após a chegada da lama nas praias no Espírito Santo. Cinco anos depois, a Fundação Renova, entidade responsável por conduzir a reparação dos danos ambientais e materiais causados pelo rompimento, afirma que o nível da água no Rio Doce já está em condições similares ao que era encontrado antes do crime ambiental. No entanto, isso não significa que os danos foram reparados, avalia Rodrigo Agostinho. “A contaminação vai ficar no fundo no leito dos rios, ela matou quase todas as espécies vivas. Após o rompimento, criaram uma fundação, que tem um orçamento de até R$ 12 bilhões para recuperação, mas as consequências são irreversíveis. O Rio Doce aos poucos está apresentando uma água um pouco melhor, mas a perda da biodiversidade foi muito grande, e para que a natureza se recupere ainda vai levar muito tempo.”

O deputado reconhece que o rompimento de Fundão trouxe mudanças para a legislação e discussão sobre barragens no Brasil. Mesmo assim, faltam ações para recuperação efetiva do meio ambiente e para evitar que novos rompimentos não aconteçam. “O Brasil ainda não aprendeu a lição. Algumas mudanças aconteceram, as empresas perceberam o prejuízo financeiro enorme e o prejuízo na imagem delas. Mas, no geral, muitas pessoas não foram indenizadas. Em Brumadinho, por exemplo, muitas vítimas sequer tiveram o corpo encontrado. Então, a gente percebe uma sensação de impunidade muito grande e, infelizmente, esse caso [rompimento de barragem] ainda pode ser visto no Brasil.” Próximo à data em que marca os cinco anos do rompimento da barragem em Mariana, a Samarco recebeu autorização para a retomada das atividades operacionais em Minas Gerais e no Espírito Santo. À Jovem Pan, a empresa informou que o retorno operacional deve acontecer até o final do ano, adotando “novas tecnologias para a disposição de rejeitos” em um “compromisso com a sociedade em fazer uma mineração diferente, unindo inovação e segurança”. Em nota, a Samarco lembra que a retomada das atividades passou “por todos os processos de licenciamentos ambientais” e recebeu “as licenças necessárias das autoridades competentes”. A empresa reforça que “impactos causados pelo rompimento da barragem de Fundão nunca serão esquecidos”, destacando a destinação de R$ 10 bilhões, até setembro de 2020, para medidas conduzidas pela Fundação Renova.

Jovempan

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