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Menina desabafa após ‘fingir’ namoro com estuprador

19 junho, 2020

“Ele falava que estava fazendo um bem pra mim porque eu sempre lembraria dele quando fosse fazer isso [ato sexual]. Ele disse que eu não faria isso por um bom tempo. Rezei muito para alguém perceber”, diz a adolescente de 15 anos que foi estuprada no caminho de volta para casa após sair para andar de patins em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O homem teria feito a jovem se passar por ‘namorada’ dele para não criar suspeitas. Por enquanto, ninguém foi preso.

Devido a vítima estar abalada e sob efeito do coquetel de remédios que tomou para evitar doenças sexualmente transmissíveis, a irmã dela também conversou com o G1. De acordo com a comerciante, de 27 anos, o sentimento da família é de revolta.

“Somos criadas por mãe solteira e isso faz com que sejamos bem fortes, porque crescemos vendo nossa mãe lutar muito. Então ela está tentando permanecer muito forte, porque sempre teve muita dificuldade de colocar pra fora o que sente. Com o tempo que realmente vamos conseguir ver as sequelas. Mas agora ela está com ódio e nojo do homem que a estuprou”, diz a irmã da jovem violentada.

Segundo a comerciante, o criminoso chegou a dizer para a adolescente que já havia estuprado outra menina. “Isso fez com que minha irmã ficasse ainda pior. Fora que os medicamentos mexeram muito com o organismo dela. Ela vomita muito e está com dificuldade de dormir de noite. Vemos acontecendo com tantas mulheres e nunca pensamos que pode ser tão perto de nós”, relata.

“Infelizmente não conseguimos ter outro sentimento. Só queremos achar ele para ver a justiça sendo feita. Estamos com um sentimento de tristeza por ver alguns comentários questionando porque ela estava sozinha, como se houvesse alguma justificativa para o crime que esse homem cometeu. Minha irmã ainda se culpa e sente muita vergonha. Infelizmente, mesmo sem culpa, as mulheres ainda se sentem envergonhadas por um ato nojento como esse.”

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou ao G1 que a DDM da Praia da Grande instaurou inquérito para apurar os fatos, identificar e prender o autor do crime. As investigações estão sob segredo de justiça, razão pela qual não será possível dar detalhes sobre o andamento dos trabalhos.

Sobre o caso, a terapeuta especialista em sexualidade e afetividade Christiane Andréa explica que quando alguém passa por uma situação traumática de violência sexual é normal apresentar certos sintomas, como ansiedade, pânico ou depressão.

“No caso de crianças e adolescentes somam-se outros fatores sérios, como a culpabilização por ter sido violentada. O sentimento de culpa, a sensação de impureza e o medo de se relacionar com outras pessoas, tanto no presente, quanto na fase adulta, podem gerar muitos prejuízos na vida desta criança ou adolescente”, explica.

De acordo com a especialista, esses prejuízos vão desde impactos fortíssimos no desenvolvimento cognitivo da vítima até transtornos pós-traumáticos. Esses transtornos podem ter reflexos na vida profissional, na execução de tarefas simples do dia-a-dia, modificando totalmente a rotina dessa jovem. “Eles irão se manifestar em níveis distintos, dependendo do tipo de trauma sofrido, o que leva há uma situação de sobrecarga emocional que vai se acentuando com o passar do tempo até culminar em transtornos mais severos, levando a atos impensáveis; inclusive o suicídio”, diz.

Relembre o crime

A adolescente foi estuprada no caminho de volta para casa após sair para andar de patins. De acordo com a irmã da vítima, um idoso chegou a suspeitar do que estava acontecendo. Porém, o homem teria feito a jovem se passar por ‘namorada’ dele para não criar suspeitas.

A vítima contou que saiu de casa por volta das 19h para andar de patins, como fazia todos os dias. No caminho até a orla da praia, no bairro Guilhermina, ela foi abordada por um homem, de aproximadamente 20 anos, que estava em uma bicicleta.

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Ele fez perguntas para a jovem, que até então achou que estava apenas sendo flertada. Ela não passou nenhuma informação pessoal e ao chegar à praia, o homem pareceu desistir e ir embora. Já a jovem fez seu passeio como de costume.

No caminho de volta para casa, após cerca de 50 minutos, os dois se encontraram novamente. Ele a seguiu e a estuprou. A jovem contou que chegou a implorar para ser liberada e ir para casa, mas que foi ameaçada de morte pelo criminoso.

Um homem que passava de bicicleta chegou a suspeitar que algo estava acontecendo e parou na esquina, mas o agressor fez com que a vítima saísse com ele de mãos dadas, para manter o ‘disfarce’ de casal. Ele liberou a jovem na outra esquina e desapareceu.

Fonte: G1

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