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Bebê retirada do ventre da mãe assassinada recebe alta

Recém-nascida estava internada em hospital de Florianópolis desde o fim de agosto, quando a mãe foi encontrada morta em Canelinha. Após sofrer ferimentos de estilete e nascer antes do tempo, menina está bem.

quinta-feira, 26/11/2020

A bebê retirada com corte de estilete do ventre da mãe de 24 anos, que foi assassinada em Canelinha, na Grande Florianópolis, se recuperou e recebeu alta hospitalar.

Ela deixou o hospital infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, no domingo (6), segundo confirmou a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Saúde (SES) na manhã desta quarta-feira (9).

O casal acusado do crime foi preso no dia 28 de agosto, no dia em que o corpo foi encontrado. A Vara Criminal de Tijucas, na Grande Florianópolis, aceitou na sexta-feira (4) a denúncia contra os dois por homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, em relação à bebê.

A recém-nascida foi internada no hospital estadual na capital em 28 de agosto, mesmo dia em que o corpo da mãe foi encontrado em uma cerâmica desativada. A menina sofreu cortes de estilete e também nasceu antes do tempo, pois o parto estava previsto para setembro.

Segundo amigos da mãe, a bebê está bem, mas não foram informados detalhes para preservar a família. A situação da criança é acompanhada pela 2ª Promotoria de Justiça de Tijucas, além do Conselho Tutelar da cidade.

Imagens e o nome da grávida morta não foram divulgados pelo G1 SC pois há risco que se chegue à identidade da recém-nascida, que tem o direito à preservação de sua identificação garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Relembre o caso

De acordo com a Polícia Civil, a jovem de 24 anos foi morta por uma conhecida que simulou que estava grávida, após sofrer um aborto no início do ano. A mulher acusada de homicídio pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) tinha a intenção de ficar com a recém-nascida.

Ela armou uma armadilha para a jovem na tarde do dia 27 de agosto, uma quinta-feira: cortou a barriga da grávida com um estilete para retirada do bebê e bateu com um tijolo na cabeça da mulher. O corte na barriga causou a morte da grávida, que teve hemorragia.

corpo da mulher morta foi escondido dentro de um forno de cerâmica desativado e encontrado no dia seguinte por familiares e amigos que estavam desde quinta-feira procurando a jovem. A mulher acusada chegou a compartilhar postagens em redes sociais sobre o desaparecimento da grávida.

Ainda de acordo com a acusação do MPSC, depois de matar a grávida, no dia 27 de agosto, a acusada do crime procurou o hospital de Canelinha na companhia do companheiro e, na unidade de saúde, disse que tinha passado por um parto e que o bebê era do casal. Como a menina tinha cortes e era prematura, foi levada ao hospital de Florianópolis, que tem mais recursos para atendimento. (Veja a matéria completa)

Carreata e homenagens

No sábado (5), cerca de 200 pessoas estiveram na igreja Sant’Ana, no Centro de Canelinha para a missa de 7º dia. Os fiéis respeitaram o distanciamento e usaram máscaras, sendo retirada apenas para o canto e leitura de homenagens.

Tudo foi organizado pela família da vítima e pelas madrinhas da recém-nascida. Após a missa e leitura de poemas e homenagens à grávida, houve uma carreata pelas principais ruas da cidade pedindo Justiça .

O casal acusado está preso. O homem está no Presídio Regional de Tijucas, e mulher, no Presídio Regional de Chapecó, no Oeste catarinense. Os dois tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça.

A defesa dela pediu instauração de incidente de sanidade mental para averiguar se ela tinha discernimento ou não do caráter ilícito dos fatos. Já a defesa dele informou ao G1 vai provar a inocência do cliente, que ele não sabia que a esposa tinha perdido o bebê e do que ocorreria.

O MPSC denunciou o casal por homicídio qualificado por motivo torpe e fútil, com meio cruel, dificultando a defesa da vítima, para assegurar a execução de outro crime (a substração da criança) e durante a gestação da vítima.

Em relação à bebê, o Ministério Público afirmou que houve tentativa de homicídio qualificado sem chance de defesa para a vítima.

Além disso, o casal foi denunciado por subtração de um menor; por dizerem que a bebê era filha deles; e por ocultação do cadáver da grávida. A mulher ainda foi denunciada por fraude processual.

A acusada foi denunciada por fraude processual por ter pegado o celular e outros objetos pessoais da grávida. Esse material foi guardado por ela no apartamento do casal, em Canelinha.

G1

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