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Super salários e previdência e a urgência das respostas

Uma ilha da fantasia de autos ganhos em relevante disparidade com a realidade da maioria dos brasileiros.

No final de fevereiro o país viveu momentos de apreensão com o projeto de reforma da Previdência, apresentado pelo governo Bolsonaro, que rendeu longos e preocupantes debates. Trabalhar mais e ganhar menos numa fase da vida em que o individuo já não tem o mesmo potencial físico e emocional é uma preocupação geral. Num país de tantas instabilidades políticas e econômicas, o pensar no futuro é algo ainda mais relevante.

Coluna de Solano Ferreira

Apesar do marasmo do período de carnaval em que nada de discute no país além das alegorias, um projeto de lei (PL 6726/16) que tramita na Câmara dos Deputados contrapõe a realidade da maioria da população produtiva do Brasil. O projeto trata da proposta de combate aos super salários pagos pela administração pública, principalmente nos poderes. Uma ilha da fantasia de autos ganhos em relevante disparidade com a realidade da maioria dos brasileiros.

E não são apenas os salários acima da média prevista no artigo 37 da Constituição Federal, que impõe limites aos ganhos do funcionalismo, mas os benefícios que agregam e tornam ganhos reais a cada mês. Entram aí os auxílios moradia, transporte, alimentação, roupa, saúde, e tantos outros que no total ultrapassam quaisquer quantidades e valores suficientes para manutenção pessoal ou familiar dos donos de volumosos contra-cheques. O que não faltam são argumentos para o relator, deputado Rubens Bueno (PPS-PR), que quer recolocar o projeto em pauta.

Discutir os altos salários no mesmo momento da reforma da Previdência dará muita dor de cabeça ao governo. Mas é importante abrir o debate e saber o que de fato está por trás do suposto rombo da Previdência, estimado em R$ 381 bilhões, sendo R$ 202 bi de déficit de 35 milhões de trabalhadores e outros R$ 179 bi de déficit de 4 milhões de servidores.

A reforma da Previdência é necessária para sanar e garantir o futuro do sistema, porém se faz necessário uma discussão ampla e detalhada para que o trabalhador não pague a conta sozinho. De outro lado, o governo precisa rever e acelerar outros sangramentos das contas públicas, a exemplo dos super-salários, para que haja mais justiça social e menos desigualdade. O país tem vários ralos por onde vazam o dinheiro público e todos esperam que haja controle, fiscalização e fim de tamanha vazão.

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