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Prisão de Temer foi como explosão nuclear

A prisão do ex-presidente da Republica Michel Temer causou burburinhos nos bastidores do poder, em Brasília e por todo país. As primeiras reações de políticos e articulistas consideravam em suas opiniões de que a ação teria orquestração política. Muito se especulou sobre o fato já que, pela análise jurídica de especialistas, a prisão seria desnecessária nesse momento da investigação em que envolve Temer e demais lideranças do MDB, citados ou delatados em depoimentos.

Coluna de Solano Ferreira

Especulou-se sobre interesse do juiz Marcelo Bretas em pleitear cargo eletivo no próximo ano; que seria para resgatar a credibilidade do governo Bolsonaro, que em 60 dias despencou 15% na aprovação popular;  que seria para desgastar o Supremo Tribunal Federal; que seria para resgatar a força da operação Lava Jato; e muitos outros argumentos rondaram como possíveis motivos da prisão de mais um ex-presidente.

A coletiva à imprensa na tarde de ontem, mostrou fatores muito além de questões do interesse político que vinham sendo comentado. Os procurados e delegados que investigaram essa fase mostraram fortes indícios de uma grande organização criminosa que atuava há 40 anos operando dentro do Ministério das Minas e Energia. O esquema teria desviado cerca de R$ 1,8 bilhões de reais em contratos fictícios beneficiando o grupo político ligado a Temer. Quatro décadas de esquema de corrupção é muito tempo e, consequentemente, deve desencadear a queda de muita gente que ainda estava oculta. O volume financeiro desviado é muito grande e a partilha deve ter engordado muitas contas bancárias espalhadas pelo mundo.

O projeto Angra (de energia nuclear) é antigo e já foi motivo de muitos protestos de ambientalistas, de esquemas que resultaram em atrasos de obras e serviços mal feitos, e mais um turbilhão de fatos ao longo de décadas. O desfecho dessa etapa da Lava Jato pode revelar motivos de tantas idas e vindas nesse projeto de geração de energia nuclear, que pelo visto já energizou muitos negócios duvidosos e obscuros. A surpreendente revelação de mais essa malversação de dinheiro público é tão explosiva e avassaladora como um desastre nuclear. Causou espantos, derrubou a bolsa de valores, e revelou antiga modalidade de desvios de recursos públicos em obras que nunca acabam.

Se de um lado o fim do esquema estancará mais um ralo gigantesco do dinheiro público, de outro, causará mais uma transformação na política e na estrutura de poder do país. Tudo indica que virá um efeito dominó com a queda sucessiva de pessoas de peso na política nacional e na economia. Temer vem sendo apontado como o principal operador dessa organização criminosa que prometia mais três décadas de usufruto de dinheiro público.

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