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O Sínodo, o Governo e a visão ambiental

A realização do Sínodo da Amazônia tornou-se uma preocupação para o governo Bolsonaro e já teve reação, por parte do general..

A realização do Sínodo da Amazônia tornou-se uma preocupação para o governo Bolsonaro e já teve reação, por parte do general Augusto Heleno (ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional) que disse: ‘Amazônia brasileira quem cuida é o Brasil’.  O arcebispo emérito de São Paulo, cardeal Dom Claudio Hummes, amenizou assegurando que não trata de temas relacionados à soberania nacional.

Coluna de Solano Ferreira

O tema do encontro do alto clero Católico “Contribuições a partir do desenvolvimento sustentável”, foi definido pelo Papa Francisco, para debater propostas que serão apresentadas num Sínodo Pan-Amazônico que reunirá em outubro, 250 bispos no Vaticano, para discutir os novos caminhos para evangelização a partir do tema Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral.

No documento tese para o Sínodo Especial, a Igreja Católica mostra-se preocupada com o bioma amazônico, sua biodiversidade, seu universo multiétnico, pluricultural e plurirreligioso, cuja “defesa da vida exige mudanças estruturais e pessoais de todos os seres humanos, dos Estados e da Igreja. A temática é vista como preocupação do Vaticano com os rumos declarados do governo brasileiro, de uma política antiambientalista e não-sustentável, que pode confrontar com interesses como: meio ambiente, povos indígenas e minorias, extrativismo, causas sociais e demais assuntos humanitários.

Já para o governo, que considera a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) como ameaça institucional, a realização do Sínodo é uma interferência à soberania nacional. É visto como esquerdismo que pode gerar ameaça ao sistema de gestão apresentado pelo governo, que vê assuntos como meio ambiente, mudanças climáticas e direitos indígenas como a face oculta da esquerda.

A maior parte da Amazônia está em território brasileiro com 60% da área, sendo a maior floresta tropical do mundo. Cientistas consideram que o desmatamento acelerado de florestas altera o clima no planeta e gera muitos impactos. Para os principais países, a manutenção da Amazônia ou seu uso sustentável é a única forma de manter o equilíbrio no planeta. Por outro lado o governo brasileiro entende que o discurso ambientalista é prejudicial para o desenvolvimento econômico na nação.

Não há consenso nos olhares da CNBB e do governo quanto a Amazônia. A temática deve ser melhor investigada por ambas as partes para promover o que é melhor numa visão de futuro e não de presente.

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