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Guerra na Venezuela não é para o Brasil

Na reunião do Grupo de Lima, o vice-presidente do Brasil, general Hamilton Mourão disse que “o Brasil acredita firmemente que é possível devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas sem qualquer medida extrema que nos confunda com aquelas nações que serão julgadas pela história como agressoras, invasoras e violadoras das soberanias nacionais”.

Coluna de Solano Ferreira

O conceito histórico de paz não é o único motivo que leva o Brasil a rejeitar uma invasão à Venezuela. Em caso de guerra, alguém terá que pagar a conta, e o Brasil não têm motivos para assumir tamanha despesa em favor de nada que represente esse custo. As relações comerciais entre os dois países sempre foram boas apesar do superávit não justificar qualquer conflito. Cabe ao Brasil apenas manter as fronteiras abertas para os refugiados e o envio de ajuda humanitária que já estará de bom tamanho. As provocações até o momento na fronteira são consideradas levianas sem necessidade de revida.

A Venezuela é o maior produtor de petróleo da América Latina e seus maiores compradores são Índia, China e Estados Unidos. Os Estados Unidos tem total interesse na derrubada de Nícolas Maduro para comprar petróleo mais perto de casa. Atualmente a maior importação daquele país vem do Oriente Médio, numa logística caríssima. Esses países sim podem ou devem estar preocupados, e até mesmo interessados em qualquer guerra. Os valores de negócios e a dependência do petróleo em quantidades enormes promovem nesses países o protagonismo da crise.

Para se ter idéia do que é uma intervenção militar para derrubada de governo, basta considerar as mais recentes realizadas pelos Estados Unidos. Os americanos estão há 18 anos no Afeganistão com a responsabilidade de reconstrução do país, porque se tornaram atores políticos. No Iraque, há presença de tropas americanas há 16 anos, também com o mesmo compromisso.

Nesses exemplos é possível observar que para o Brasil não justifica se meter em briga alheia, ter derramamento de sangue, prejuízos econômicos e afetar a economia nacional em troca de absolutamente nada que justifique o preço a ser pago. Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirma que não descarta a possibilidade de intervenção militar na Venezuela, o governo brasileiro tem repetido que não cogita usar a força contra o governo de Nicolás Maduro. Essa é a condução correta do Brasil nessa crise.

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