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Ministério da Saúde muda forma de apresentar dados da Covid-19 no país e diz que irá recontar total de óbitos porque vê ‘dados fantasiosos’

6 junho, 2020

Segundo as Secretaria estaduais de saúde, em levantamento feito pelo G1 até às 13 horas, o país tem 35.211 mortes e 651.980 casos confirmados de Covid-19. Ontem, no balanço do Ministério da Saúde divulgado por volta das 21:30h, o Brasil chegou a 645.771 casos confirmados e 35.026 mortes, um aumento de 1.005 novas mortes em 24h, segundo o ministério.

O Ministério da Saúde modificou novamente a forma de divulgar os dados da epidemia causada pelo novo coronavírus e, agora, não informa mais o total de casos e óbitos do país, nem por estado. A mudança no formato não foi informada previamente. Além disso, o portal mantido pelo ministério com dados atualizados da Covid-19 foi tirado do ar.

Desde abril, o ministério divulgava, diariamente, uma lista contendo o total de casos e mortes causadas pela doença registradas nas últimas 24 horas. Os dados eram segregados por estado e traziam uma totalização nacional.

Na sexta-feira (6) a tabela distribuída pelo governo retirou a maior parte desses dados. A tabela dá ênfase no número de pacientes recuperados e traz apenas a quantidade de novos casos e mortes registradas nas últimas 24 horas por estado e no país, sem os números totais.

Por dois dias seguidos com recorde de mortes e divulgação tardia dos números (antes divulgados por volta das 17 horas, agora sendo divulgados às 22 horas), o presidente Jair Bolsonaro confirmou a mudança na metodologia de divulgação sobre vítimas da Covid-19, o que pode significar, na prática, a divulgação de números de mortes menores, engrossando as críticas de que o governo pretende manipular dados da pandemia.

Em uma nota postada por Bolsonaro nas redes sociais, o Ministério da Saúde afirma que o formato usado desde o início da pandemia não oferece uma representação do “momento do país”.

Em entrevista à Folha neste sábado, o secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Wizard, confirmou que há uma intenção dentro da pasta de rever os critérios, mas para os próximos dados. “O passado já passou, estamos preocupados daqui para a frente”, afirma.

O novo modelo, porém, já começou a ser usado no boletim da noite de ontem (05), quando foi divulgado que o país registrou 1.005 óbitos nas últimas 24 horas. O boletim do Ministério da Saúde não informou o total de mortes e nem o total de casos confirmados da Covid-19 desde o início da pandemia.

A pasta também deixou de divulgar o total de casos em investigação para a doença, que até quinta-feira (4) era de 4.159. O portal do Ministério da Saúde com as informações consolidadas saiu do ar.

Ministério da Saúde muda forma de apresentar dados da Covid-19 no país e diz que irá recontar total de óbitos porque vê 
Foto: Diferença dos boletins de quinta e sexta-feira. O Ministério deixou de divulgar o número total
de mortos e de infectados pela Covid-19 alegando que os dados não oferecem uma representação
do "momento do país". - Reprodução/G1/Minstério da Saúde

As mudanças acontecem depois do país registrar dois dias seguidos com recorde de mortes em um intervalo de 24 horas. Na quarta-feira, foram 1.349 óbitos. Na quinta, novo recorde de 1.473 mortes, atingindo a marca de mais de um morto por minuto em decorrência da Covid-19. As mortes, como o Ministério da Saúde dizia, são de casos em investigação, que emglobam mortes que ocorreram à dias e as que ocorreram no dia do boletim.

O Ministério da Saúde agora diz que vai passar a divulgar apenas os números de mortes e casos de infecção pelo coronavírus registrados realmente nas últimas 24 horas, o que resultaria em números muito inferiores aos atuais, pois deixaria de divulgar as mortes em investigação.

“Acabou a matéria no Jornal Nacional”

Ao comentar a questão, na sexta-feira (5), o presidente não confirmou ter dado a ordem para a mudança de horário, mas alegou que os números sairiam mais consolidados às 22h. Por outro lado, comentou “acabou matéria no Jornal Nacional“, em referência à Rede Globo.

Não interessa de quem partiu [a ordem para modificar o horário], é justo sair às 22h, é o dado completamente consolidado. Muito pelo contrário, não tem que correr para atender a Globo“, disse.

Em nota, a emissora afirmou que: “O público saberá julgar se o governo agia certo antes ou se age certo agora. Saberá se age por motivação técnica, como alega, ou se age movido por propósitos que não pode confessar mais claramente. Os espectadores da Globo podem ter certeza que serão informados sobre os números tão logo sejam anunciados pq o jornalismo da Globo corre sempre para atender o seu público“.

Nas redes sociais, o presidente postou uma nota do Ministério da Saúde que diz que “Para evitar subnotificação e inconsistências, o Ministério da Saúde optou pela divulgação às 22h, o que permite passar por esse processo completo. A divulgação entre 17h e 19h, ainda havia risco de subnotificação“.

Ministério da Saúde vai recontar mortos pela covid-19 porque diz ver ‘dados fantasiosos’

O Ministério da Saúde vai recontar o número de mortos no Brasil vítimas da covid-19. Segundo o empresário Carlos Wizard, secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, os dados atuais seriam “fantasiosos ou manipulados”.

Wizard afirmou que o número de mortos, que ontem chegou a 35.026 pessoas, conforme dados oficiais, estaria inflado, apesar de pesquisas já terem demonstrado e do próprio Ministério da Saúde ter admitido, em outras gestões, que há um grande número de subnotificações.

Tinha muita gente morrendo por outras causas e os gestores públicos, puramente por interesse de ter um orçamento maior nos seus municípios, nos seus estados, colocavam todo mundo como covid. Estamos revendo esses óbitos“, afirmou.

Segundo Wizard, a pasta tem convicção que o número de mortos no Brasil seria menor que o divulgado até agora. “Eu acredito que vai ter um dado mais real, porque o número que temos hoje está fantasioso ou manipulado”.

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Edição 80 – Boletim diário sobre coronavírus em Rondônia

Brasil pode deixar OMS

Em entrevista na porta do Palácio na sexta (05), Bolsonaro fez críticas à Organização Mundial da Saúde (OMS) e disse que o país pode deixar a organização.

O Trump [presidente dos Estados Unidos] cortou a grana deles, voltaram atrás em tudo. E adianto aqui: os Estados Unidos saíram da OMS. A gente estuda no futuro… Ou a OMS trabalha sem o viés ideológico, ou nós vamos estar fora também. Não precisamos de gente de fora dar palpite na saúde aqui dentro”, disse o presidente.

Na sequência, Bolsonaro foi questionado se pretende fazer com que o Brasil deixe a OMS. Ele afirmou: “É o seguinte: ou a OMS realmente deixa de ser uma organização política, partidária, assim, vamos dizer, até partidária, ou nós estudamos sair de lá”, frisou.

Fonte: Folha de S. Paulo, O Globo, G1

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